Na herpetofauna destacam-se alguns endemismos restrito à Península Ibérica, como a Cobra-de-pernas-pentadáctila, o Sapo-parteiro-ibérico e a Rã-de-focinho-pontiagudo, assim como ao mediterrâneo, de que é exemplo o Cágado-mediterrânico. Com estatuto de conservação desfavorável em Portugal, temos ainda o discreto Cágado-de-carapaça-estriada (classificado como "em perigo") e a Osga-turca (com estatuto de "vulnerável").
Mesmo sem estatuto de ameaçada em Portugal, os répteis fazem-se ainda representar pelo Sardão, a Cobra-de-ferradura e a Cobra-de-capuz, um dos ofídios mais raros e menos conhecidos no país.
No grupo dos anfíbios, ocorrem espécies como a Salamandra-de-costelas-salientes, o Tritão-marmoreado, o Sapo-de-unha-negra e o Sapinho-de-verrugas-verdes. Mais raro nesta zona árida, temos também o Sapo-comum e o Sapo-corredor. A presença da Rela-meridional e da Rã-verde é, por sua vez, denunciada pelos numerosos coros, bastante audíveis, que formam na primavera.


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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Mauremys leprosa
ORDEM: Testudines (Chelonia)
FAMÍLIA: Bataguridae
DIMENSÕES: Comprimento: tamanhos máximos dos machos e fêmeas, são respectivamente 18,9cm e 21,2cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL Distribui-se pelo Sudoeste da Europa (Portugal, Espanha e Sudoeste de França) e Noroeste de África.
Também conhecido por Cágado-mediterrânico, pode viver até 35 anos!
As fêmeas são maiores do que os machos. A carapaça é oval, cinzenta esverdeada ou castanha com manchas claras e difusas.
Para regular a temperatura interna necessita de se deslocar para locais com boa exposição solar, mas também com alguma vegetação aquática para proporcionar refúgio.
De hábitos diurnos, nas zonas mais frias entra em hibernação e, nas zonas mais quentes, permanece ativo todo o ano. Nos meses mais quentes, pode ficar inativo enterrando-se no fundo da massa de água onde habita.
Com uma dieta à base de algas, plantas aquáticas, invertebrados, anfíbios (larvas e adultos) e peixes, este é uma importante presa para diversos animais, como a Lontra, a Raposa e outros carnívoros, bem como para aves como garças, cegonhas e rapinas.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Natrix maura
ORDEM: Squamata
FAMÍLIA: Colubridae
DIMENSÕES: Comprimento: 65-130cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Está presente na Península Ibérica, ilhas Baleares, Centro e Sul de França, Sudoeste da Suíça, Noroeste de Itália, Córsega, Sardenha e Norte de África.
Em Portugal distribui-se por todo o território.
É uma espécie com hábitos anfíbios, deslocando-se com facilidade tanto em terra como na água, onde nada à superfície.
As fêmeas são mais robustas e alcançam tamanhos maiores, enquanto os machos apresentam caudas proporcionalmente mais compridas. Chega a atingir os 2 m de comprimento mas, em geral, não ultrapassa 1,20 m e pode viver até 20 anos!
Para se defender, assume uma postura que se assemelha a uma víbora. Expande a cabeça para que se pareça triangular (como a das víboras), emite silvos e ameaça morder. Este comportamento (e o padrão em zigue-zague no dorso) está assim na origem do seu nome comum.
Está ativa praticamente todo o ano, hibernando entre novembro e fevereiro. Tem hábitos diurnos mas no verão pode ter uma atividade crepuscular e noturna.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Rhinechis scalaris
ORDEM: Squamata
FAMÍLIA: Colubridae
DIMENSÕES: Comprimento: cerca de 150cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Distribui-se na Península Ibérica, Noroeste de Itália e Sudeste francês. Em Portugal encontra-se, sobretudo, na metade oriental do país sendo mais abundante na região da Estremadura.
Com corpo esguio e longo, é uma cobra de grande dimensão que varia entre 1,5m e os 2 m de comprimento.
No dorso acastanhado, amarelado ou de tonalidades rosa, apresenta duas linhas escuras longitudinais. Nos juvenis estas linhas estão ligadas, dando a aparência de uma escada, daí seu nome comum.
Pode ter atividade diurna, mas é sobretudo ativa durante a noite. Nas suas deslocações noturnas esta cobra aproveita o calor retido pelo asfalto das estradas, sendo por isso muitas vezes vítimas de atropelamento.
É uma espécie agressiva, que quando perturbada pode investir e até morder. Contudo os seus dentes não possuem glândulas produtoras de veneno, pelo que a sua mordedura não acarreta problemas para o Homem.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Podarcis hispanica
ORDEM: Squamata
FAMÍLIA: Lacertidae
DIMENSÕES: Comprimento: cerca de 7cm (excluindo a cauda)
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Distribui-se pela Península Ibérica, Sudeste de França e o Norte de África. Em Portugal, ocorre em todo o território.
É um pequeno lagarto comum em muros, montes de pedras e ruínas, onde encontra abrigo. Com uma coloração muito variável (que vai desde o castanho claro ao verde intenso), tem cabeça achatada e órbitas salientes, que são características identitárias da espécie. Nos lados, é comum a presença de um rendilhado mais escuro, verde, castanho ou preto.
Com cerca de 18 cm de comprimento total (incluindo a cauda, que compreende cerca de dois terços do comprimento do animal), em situação de perigo pode libertar a cauda (fenómeno a que se chama autotomia).
Está ativa praticamente ao longo de todo o ano, desde que a temperatura seja superior a 13ºC. Atinge a atividade máxima na primavera situando-se a sua temperatura corporal entre os 26 e os 41ºC, que absorve do substrato rochoso onde se deita.
Nesta espécie o dimorfismo sexual é percetível ao nível do tamanho, sendo os machos maiores do que as fêmeas. Normalmente não vive mais de 3 anos.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Pelophylax perezi
ORDEM: Anura
FAMÍLIA: Ranidae
DIMENSÕES: Comprimento: 5-10cm (por vezes um pouco mais nas fêmeas)
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Ocorre em toda a Península Ibérica alcançando o seu limite setentrional no Sul de França.
É o anfíbio mais frequente em Portugal e pode viver até aos 10 anos!
Excelente nadadora e saltadora, é capaz de fazer saltos com mais de 2 m. De noite ou em condições de grande humidade, pode afastar-se bastante da água à procura de alimento.
O tamanho varia entre 5 e 10 cm, sendo por vezes um pouco mais nas fêmeas. O dorso, usualmente verde, mas também acastanhado ou acinzentado, tem uma linha vertebral verde-clara ou amarela e duas “rugas” laterais amareladas ou acastanhadas.
Tem um focinho pontiagudo e olhos grandes, muito juntos e proeminentes, dourados e com pupila horizontal.
Mantém-se ativa durante todo o ano, exceto durante as épocas mais frias, altura em que se enterra no lodo ou entre a vegetação aquática.
Salamandra-de-costelas-salientes
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Pleurodeles waltl
ORDEM: Urodela
FAMÍLIA: Salamandridae
DIMENSÕES: Comprimento: cerca de 30cm (ou mais)
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Na Europa, vive exclusivamente no centro e no Sul da Península Ibérica, ocorrendo também no Nordeste de Marrocos.
O aspeto geral desta salamandra parece primitivo ou um tanto grotesco. É o maior anfíbio em Portugal, podendo os adultos ultrapassar os 30 cm de comprimento.O corpo e a cabeça são achatados, e a cauda, tão longa como o resto do corpo, está espalmada lateralmente. A coloração varia entre os tons castanhos ocráceos e os acinzentados.De cada lado do tronco é visível uma linha de saliências glandulares de tom amarelo-alaranjado bem vivo, que coincidem com os extremos das costelas e que segregam substâncias tóxicas. Quando está perante uma ameaça esta salamandra faz sobressair as pontas das costelas. Esta habilidade é defensiva e só é usada quando o animal percebe que está em perigo. O seu ciclo de vida está dependente do tipo de massas de água existentes no local onde habita. Nas zonas mais húmidas ocupa qualquer tipo de charco, tanque, poço ou troços de ribeira, aí se possível passando todo o ano como um animal aquático. Caso as águas sequem no verão, pode estiar durante meses, enterrada no solo húmido.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Timon lepidus
ORDEM: Squamata
FAMÍLIA: Lacertidae
DIMENSÕES: Comprimento: 15-26cm (excluindo a cauda)
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Ocorre na Península Ibérica, orla ocidental e Sudeste de França e Noroeste de Itália. Em Portugal, encontra-se presente em todo o território.
É o lagarto mais comum em Portugal e o maior da Península Ibérica, podendo atingir os 90 cm de comprimento, sendo que dois terços do seu tamanho correspondem à cauda.
A cabeça é grande e robusta, e o dorso esverdeado. O macho tem vários pontos azuis nos lados (a que chamamos “ocelos”) e a fêmea poucos ou nenhuns.
Encontra-se ativo nos meses mais amenos do ano, hibernando entre o outono e o inverno.
A época de reprodução estende-se durante a primavera, altura em que os machos são territoriais e travam lutas violentas entre eles.
No pico do calor, procura abrigo para se refugiar das altas temperaturas, sendo depois ativo durante a noite.
Em caso de perigo, a fuga é sempre a primeira opção, mas, quando encurralado adota uma posição defensiva: eleva a cabeça e abre muito a boca, conseguindo mesmo saltar de encontro ao inimigo e morder.
Apesar de poderem viver até aos 11 anos, estes lagartos têm uma elevada taxa de mortalidade por atropelamento, pois aproveitam o calor retido pelo asfalto das estradas para se aquecerem.
Sapinho-de-verrugas-verdes
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não Avaliado (NE)
NOME CIENTÍFICO: Pelodytes sp.
ORDEM: Anura
FAMÍLIA: Pelodytidae
DIMENSÕES: Comprimento: 3-4,5cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Suspeita-se que nesta região do Sudoeste de Portugal os Pelodytes pertençam a uma linhagem genética distinta da forma típica (P. punctatus) que se distribui na metade ocidental de Portugal e parte oriental de Espanha entrando pelo Sul de França acima. A espécie afim P. ibericus distribui-se assim no Sudoeste da Península Ibérica, desconhecendo-se com exactidão onde ocorre a fronteira entre ambas as espécies.
É um pequeno sapo com aspecto de uma pequena rã, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos.
A cabeça é achatada e o focinho arredondado. Os olhos, salientes e grandes, são dourados e têm pupila vertical.
Como o nome indica tem numerosas verrugas de cor esverdeada, quer no dorso, quer nas patas.
Essencialmente terrestre e noturno, desloca-se aos saltos, pelas imediações do seu esconderijo para capturar insetos e aranhas. Para tal tem as patas anteriores compridas, sendo as dos machos mais fortes do que as das fêmeas.
A época de reprodução pode iniciar-se logo no final do outono, altura em que esta espécie adota hábitos mais diurnos e se aproxima do local com água mais próximo.
Por esta altura, os machos coaxam metidos dentro de água ou próximo de tufos de vegetação. Embora pequenos, estes têm um coaxar forte constituído por duas notas: um som ascendente “huah!” seguido por um som descendente “graaah” que se repete duas ou mais vezes.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Bufo spinosus
ORDEM: Anura
FAMÍLIA: Bufonidae
DIMENSÕES: Comprimento: os machos raramente ultrapassam os 10cm e as fêmeas podem atingir mais de 20cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Distribui-se praticamente em toda a Europa, alcançando a Ásia e o Norte de África.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Epidalea calamita
ORDEM: Anura
FAMÍLIA: Bufonidae
DIMENSÕES: Comprimento: 5-9cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Estende-se da Península Ibérica até à Europa Central e Oriental.
Tem um aspeto robusto, cabeça arredondada, mais larga que comprida e olhos relativamente grandes, proeminentes, com pupila horizontal. O tamanho é semelhante nos dois sexos, variando entre 5 a 9 cm.
A pele apresenta verrugas grandes e aplanadas e uma coloração muito variável, entre o acinzentado ou esverdeado. Na região média dorsal (das costas) existe geralmente uma linha longitudinal amarela ou verde.
Com hábitos bastante terrestres, passa o dia debaixo de pedras ou em galerias que ele próprio escava com ajuda dos dedos anteriores bastante duros. Sai à noite para percorrer o seu território em busca de presas, deslocando-se através de pequenas corridas, característica que dá origem ao seu nome comum
Na época de reprodução volta ao mesmo local ano após ano para acasalar. Contudo alguns machos podem visitar zonas diferentes obtendo assim maior êxito reprodutor.
Contrariamente a outras espécies, que passam toda a época reprodutiva junto aos locais com água e a coaxar, o Sapo-corredor tem um comportamento reprodutivo explosivo. Após grandes chuvadas, os machos e as fêmeas concentram-se para acasalar em apenas uma ou duas noites.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Quase Ameaçado (NT)
NOME CIENTÍFICO: Alytes cisternasii
ORDEM: Anura
FAMÍLIA: Discoglossidae
DIMENSÕES: Comprimento: 3,5-4,5cm
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Espécie endémica do Centro e Sudoeste da Península Ibérica. Em Portugal aparece essencialmente nas regiões a sul do Tejo.
É conhecido pelo facto do macho transportar os ovos no dorso, característica que resultou no seu nome comum. De aspeto robusto, os adultos não ultrapassam os 3,5 a 4,5 cm de comprimento.
Este pequeno sapo só existe (é endémico) no Centro e Sudoeste da Península Ibérica. Em Portugal aparece sobretudo nas regiões a Sul do país.
A cabeça é curta e larga, as patas e dedos são curtos e os olhos são proeminentes, de cor dourada e pupila vertical. Cada pata da frente tem dois“calos” bem visível, característica que os distingue da outra espécie de sapo parteiro existente em Portugal.
Habitualmente a pele do dorso é castanho-avermelhada, com numerosas manchas mais escuras e verrugas muito características de cor vermelho vivo.
Durante a época seca, passa o tempo adormecido num buraco por ele próprio escavado no solo ou entre as pedras de muros e casas em ruina. Logo que caiem as primeiras chuvas do outono, sai do seu esconderijo, quase sempre de noite, à procura de insetos, aranhas e lesmas. Em breve, começam a ouvir-se os cantos dos machos, um simples assobio curto e monótono.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Pouco Preocupante (LC)
NOME CIENTÍFICO: Triturus pygmaeus
ORDEM: Urodela
FAMÍLIA: Salamandridae
DIMENSÕES: Comprimento: 9-11cm (podendo atingir os 16cm)
DISTRIBUIÇÃO GERAL: Península Ibérica (à excepção do sudeste) e centro e Oeste de França. A subespécie algarvia (Triturus marmoratus pygmaeus), que alguns autores consideram como uma verdadeira espécie (Triturus pygmaeus), é endémica do Sudoeste e centro da Península Ibérica.
É o maior tritão que existe em Portugal, tendo 7,5 a 12,5cm do focinho à ponta da cauda.
Elegante e de pele macia, é relativamente fácil de encontrar em massas de água com pouca corrente, durante a época de reprodução, estando mais ativo à noite.
Os machos são mais pequenos do que as fêmeas e durante a época de reprodução mostram uma “crista” ao longo do dorso que se prolonga pela cauda.
A época de reprodução depende quer das condições meteorológicas quer da região onde se encontram. Em Castro Verde ocorre normalmente a partir das primeiras chuvas outonais.
