Do elenco florístico fazem parte árvores e arbustos de folhas planas, pequenas, coriáceas e persistentes, como a Azinheira e o Sobreiro, que se encontram reduzidos a áreas de montados esparsos, em especial de azinho.
Outros exemplos de espécies bastante adaptadas às caraterísticas peculiares da região são o Loendro, a Tarmageira e o Tamujo, presentes sobretudo junto aos poucos vales encaixados onde a humidade se mantém, e várias cistáceas (Esteva, Roselha, Sargaço) que compõem várias manchas de mato.
Associadas às manchas de mato e até de matagal, nas zonas mais declivosas e/ou com afloramentos rochosos, surgem ainda plantas aromáticas como a Alfazema, o Rosmaninho e o Tomilho.
Nos estratos herbáceos destas formações, é ainda possível observar espécies herbáceas e gramíneas, anuais e perenes, destacando-se plantas como o Trevo-subterrâneo e o Braquipódio-de-duas-espigas.


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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Cynara humilis
ORDEM: Asterales
FAMÍLIA: Asteraceae
DIMENSÕES: Caule de 25-26cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Maio-Agosto
DISTRIBUIÇÃO: Centro e Sul da Península Ibérica.
Esta é uma das mais belas espécies do amplo grupo dos chamados cardos.
É uma herbácea perene (ou seja, é visível durante tofo o ano) e espinhosa, com raízes profundas.
Podem atingir até um metro de altura, embora, em regra, fiquem por dimensões mais modestas que variam entre os 25 a 60 cm.
Distribui-se pela Península Ibérica e pelo noroeste de África, designadamente, Argélia e Marrocos.
Em Portugal ocorre, sobretudo, no centro e sul do território do continente e por estar muito associada a certas tradições populares, como os alegres Santos Populares, também é conhecida como Alcachofra-de-São-João.
Floresce de maio a junho, sendo as flores de cor azul-violeta. Toda a parte aérea da planta seca durante o resto do verão, sendo apenas possível observar uma “roseta” de folhas ao nível solo.
À semelhança do Cardo-leiteiro, as flores podem ser usadas como “coalho” no fabrico artesanal de queijos.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Espécie protegida - Decreto-Lei n.º 169/2001, de 25 de Maio
NOME CIENTÍFICO: Quercus rodundifloia
ORDEM: Fagales
FAMÍLIA: Fagaceae
DIMENSÕES: Árvore de 8 a 12-15m de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Março-Junho
DISTRIBUIÇÃO: Sudoeste da Europa e Norte de África.
É a espécie arbórea mais abundante da região e a principal responsável pelas poucas sombras existentes. É debaixo delas que muitos animais se protegem do tórrido sol de verão.
Têm um porte muito variável mas, no caso dos montados, devido a cortes sucessivos feitos pelo Homem, as árvores têm 12-15 m de altura.
As copas (parte superior da árvore) são amplas, densas e arredondadas. Devido ao carácter persistente das folhas (até 4 anos), o aspeto das copas muda pouco ao longo do ano, à exceção do aparecimento de uma cor amarelada na primavera devido às flores masculinas (amentilhos).
Os seus frutos, as bolotas, amadurecem a partir do final do outono e constituem uma parte importante da dieta de muitos animais, inclusivamente do porco alentejano.
Ao longo dos séculos, a sua madeira densa foi usada na construção por ser resistente ao apodrecimento e ao ataque de insetos xilófagos (que se alimentam de madeira).
Em Portugal encontra-se protegida por lei.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Cynara cardunculus
ORDEM: Asterales
FAMÍLIA: Asteraceae
DIMENSÕES: Caule de 80 a 130cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Junho - Agosto
DISTRIBUIÇÃO: Sul e Oeste da Região Mediterrânea.
Típico da Região Mediterrânica, a flor azul-violeta deste cardo contém uma enzima (a quimosina) que atua como coagulante natural do leite na elaboração de queijos.
Para as preparar para o coalho, assim que começam a abrir as flores são recolhidas sendo depois deixadas a secar. Depois de secas, ao juntar porções destas flores ao leite destinado ao fabrico de queijo obtém-se a coagulação do leite em que a sua parte sólida (coalhada) se separa do soro.
Este foi, por tradição e ao longo de várias centenas de anos, o coagulante mais utilizado nos territórios mediterrânicos, sendo ainda hoje usado na região de Castro Verde para fabrico artesanal de queijos.
Como curiosidade, a Alcachofra-brava também tem propriedades coagulantes.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Rumex bucephalophorus
ORDEM: Caryophylales
FAMÍLIA: Polygonaceae
DIMENSÕES: Caule de 30cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Fevereiro-Julho
DISTRIBUIÇÃO: É uma espécie mediterrânica-macaronésica que ocorre sobretudo na Península Ibérica.
É uma erva nativa da Península Ibérica e Mediterrâneo, tendo sido introduzida um pouco por todo o hemisfério norte.
Cada planta tem um ou mais caules, dispersos e delgados, que se ramificam desde a base e podem ir até aos 30 cm de comprimento. São eretos e ascendentes.
As flores de cor vermelha e amarela são discretas em dimensão, mas quando a planta domina os campos na primavera torna-os avermelhados.
Muito apreciadas em culinária, as folhas podem ser usadas em saladas pelo seu característico sabor ácido e também como tempero.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Calendula arvensis
ORDEM: Asterales
FAMÍLIA: Asteraceae
DIMENSÕES: Caule de 30-50cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Outubro-Junho
DISTRIBUIÇÃO: É nativa do Centro e Sul da Europa, sendo hoje cultivada nas regiões temperadas do mundo.
É uma planta anual, sendo também vulgarmente chamada por Malmequer-dos-campos.
Distribui-se por todo o país, vivendo em colónias, tanto em terrenos arenosos como em terrenos cultivados ou incultos e também na beira dos caminhos.
Curiosamente fecha as pétalas ao cair da noite, voltando a abri-las completamente apenas nas horas de sol pleno. Esta íntima relação como o ciclo solar está refletida no seu nome, o qual deriva da palavra latina - calendae - que significa "primeiro dia de cada mês", e da qual também derivou a palavra calendário (que, sabe-se, é baseado no ciclo solar).
A flor, amarelo-alaranjadas, caracterizam-se pelo inegável perfume e as folhas são macias e aveludadas. Na primavera, os campos em pousio transformam-se em autênticos “tapetes” amarelos desta planta.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Cistus ladanifer
ORDEM: Malvales
FAMÍLIA: Cistaceae
DIMENSÕES: Pode atingir 2,8m de altura, não ultrapassando normalmente os 2m.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Maio-Junho
DISTRIBUIÇÃO: Sul de França, Península Ibérica, Noroeste de África e Macaronésia.
É característica das paisagens mediterrânicas, impregnando o ar quente do verão com o seu forte e inconfundível aroma.
São plantas pouco exigentes em termos nutricionais e ocorrem espontaneamente em locais solarengos.
As flores ocorrem durante os meses de maio e junho, são solitárias e grandes, podendo chegar aos 10 cm de diâmetro. Brancas com ou sem manchas castanhas duram apenas um dia. Esta situação é largamente compensada por uma floração muito profusa, havendo flores constantemente a abrir enquanto decorre a época da floração.
As flores atraem uma grande variedade de borboletas e outros insetos, incluindo as abelhas as quais são grandes apreciadoras do pólen, com o qual produzem um mel muito aromático.
Os caules e as folhas são pegajosos, agarrando-se à roupa e à própria pele. Isto deve-se ao facto de toda a planta segregar uma resina (ládano) que tem como finalidade protegê-la da dissecação nos climas secos onde habita, limitando-lhe a transpiração.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Juncus spp.
ORDEM: Poales
FAMÍLIA: Juncaceae
DIMENSÕES: Caule de 50 a 200cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Maio-Julho
DISTRIBUIÇÃO: O junco é muito comum nas costas do Mar Mediterrâneo (Eurásia), nas Américas e Delta do Nilo (Norte do Saara).
É um grupo de plantas de porte médio, caules cilíndricos e ocos, que crescem em lugares húmidos.
Semelhantes às gramíneas, são plantas verde-escuras e flexíveis, atingindo um tamanho habitual de 1,5 m de altura.
Algumas espécies de juncos são usadas como fontes de alimento por larvas de várias borboletas.
Outrora os já foram muitos utilizados para fazer cestos, esteiras e assentos de cadeira. Hoje muitas são cultivadas como plantas ornamentais e até usadas para limpar e oxigenar águas contaminadas.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Narcissus jonquilla
ORDEM: Asparagales
FAMÍLIA: Amaryllidaceae
DIMENSÕES: Caule de 20-50cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Janeiro - Fevereiro
DISTRIBUIÇÃO: É endémica da Península Ibérica e naturalizada noutros pontos do Sul da Europa.
Endémico da Península Ibérica, é um narciso que cresce a partir de um caule subterrâneo chamado bolbo (e que se assemelha bastante a uma cebola) podendo atingir meio metro de altura.
As folhas despontam do bolbo quando se inicia a primavera e a floração ocorre em plena estação primaveril. As flores são amarelo vivo e bem cheirosas.
No outono perde as suas folhas ficando apenas o bolbo adormecido no solo, que ao armazenar nutrientes dá origem, na próxima primavera, a uma nova planta.
Este é uma das espécies de narciso que pode ser usada para obter óleo essencial usado como perfume.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Gynandriris sisyrinchium
ORDEM: Asparagales
FAMÍLIA: Asparagaceae
DIMENSÕES: Caule (erecto) de 10-30cm
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Março-Junho
DISTRIBUIÇÃO: Sul da Europa, Norte de África e Sudoeste da Ásia.
Nativa da Região Mediterrânica, ocorre, geralmente, em locais secos e em terrenos compactados ou pedregosos.
Apresenta um caule com 10 a 30 cm de altura, sendo as folhas maioritariamente maiores que aquele (podem chegar aos 50cm).
Florescem no início da primavera, sendo as flores azul-arroxeadas e muito semelhantes às dos lírios. Estas flores têm a particularidade de serem efémeras: abrem-se ao meio dia e murcham poucas horas depois.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Olea europea
ORDEM: Lamiales
FAMÍLIA: Oleaceae
DIMENSÕES: Árvore até 15m de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Maio - Julho
DISTRIBUIÇÃO: A oliveira como a conhecemos hoje teve sua origem há aproximadamente 6.000 a 7.000 anos atrás na região correspondente à antiga Pérsia e Mesopotâmia. Esta espécie foi domesticada e espalhou-se mais tarde destas áreas estando hoje presente na Bacia do Mediterrâneo, bem como do Norte do actual Irã no extremo Sul do mar Cáspio.
É o género doméstico da forma silvestre, ou seja, do Zambujeiro (ou Oliveira-brava).
Pode chegar aos 15 metros de altura e viver mais de 2.000 anos!
Sabe-se hoje que a sua domesticação ocorreu um pouco por todo o Mediterrâneo, tendo a sua difusão sido facilitada pelas invasões e trocas comerciais que sempre se deram nesta região. No entanto terá sido com as invasões romanas que esta árvore conheceu a maior difusão.
O interesse alimentar (azeitonas e azeite) motivou cruzamentos e apuramentos para obter frutos de maior tamanho, o que causou um afastamento morfológico em relação à variedade silvestre (zambujeiro).
Hoje, a Oliveira é cultivada em todo o Mediterrâneo, para a produção de azeite e aproveitamento de azeitona.
As folhas têm aplicação medicinal, sendo usadas para combater a tensão alta.
A sua madeira possui elevada resistência, serve para pequenas peças de marcenaria e marchetaria.
Nas últimas décadas vem sendo cada vez mais usada em paisagismo.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Chrysanthemum segetum
ORDEM: Asterales
FAMÍLIA: Asteraceae
DIMENSÕES: Caule até 80cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Março - Julho
DISTRIBUIÇÃO: Oriunda do Sudoeste da Ásia e naturalizada no Oeste, Este e Norte da Europa e na Região Mediterrânica.
Também conhecida como Malmequer-bravo pode ser encontrado durante a primavera a encher os campos de amarelo vivo.
À semelhança de outras espécies de plantas da família das Compostas, o disco amarelo é formado por um conjunto de flores ladeado por flores providas de estruturas alongadas semelhantes a pétalas, também amarelas.
As poucas flores da periferia, são geralmente estéreis e a sua função é meramente decorativa. São elas que atraem os insetos polinizadores, tornando o conjunto apetecível.
Fortemente aromática, exerce um papel repelente de insetos e ácaros e torna-se uma excelente companheira para outras plantas.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Papaver rhoeas
ORDEM: Ranunculales
FAMÍLIA: Papaveraceae
DIMENSÕES: Tufos com cerca de 10 a 50-60cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Abril - Julho
DISTRIBUIÇÃO: Quase toda Europa até Cáucaso, Centro e Oeste da Ásia, Paquistão, Japão, Norte de África e Macaronésia (excepto Cabo Verde). Foi introduzida na América do Norte.
Das 22 espécies de papoilas existentes, apenas um pequeno número cresce espontaneamente em Portugal.
É o caso da Papoila-vermelha que por altura da primavera alegra os campos em pousios e a beira dos caminhos, baloiçando as suas grandes e solitárias flores vermelhas ao sabor do vento.
De modo geral, é mais abundante nas primaveras húmidas que se seguem a invernos secos e ensolarados, necessitando de muita luz. Para isto contribui o facto de produzir muitas sementes as quais permanecem adormecidas no solo durante largos anos, aguardando as condições mais favoráveis para germinarem.
Quando cortado, o seu caule (eretos e coberto de pequenos pêlos) produz uma secreção esbranquiçada chamada latex que a planta utiliza para ajudar na “cicatrização” do corte feito.
Devido às suas propriedades calmantes as flores e folhas têm sido utilizadas em medicina alternativa desde tempos remotos, sendo usadas no tratamento de vários males desde constipações a distúrbios nervosos.
Já as suas sementes são muito apreciadas como condimento em pães e bolos, quer isoladamente quer em mistura com outras sementes.
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Ranunculus peltatus
ORDEM: Ranunculales
FAMÍLIA: Ranunculaceae
DIMENSÕES: Caules com 10-50cm de altura.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Fevereiro -Junho
DISTRIBUIÇÃO: Distribui-se no Centro e Sul da Europa. Em Portugal, surge em todo o território nacional.
É uma das plantas flutuantes mais abundantes nos lagos e cursos de água com corrente fraca e pobres em nutrientes.
Vive dentro de água e, por isso, enraíza no fundo das massas de água, tendo folhas quer à superfície (flutuantes) quer submersas. À superfície surgem também as flores com as suas pétalas brancas e centro amarelo, com cerca de 6mm.
Por vezes forma “tapetes” exuberantes sobre os cursos de água, o que é indicador da presença excessiva de nutrientes, sobretudo fosfatos e nitratos, que origina desenvolvimento excessivo de matéria orgânica (ou seja, a eutrofização das águas).
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ESTATUTO DE CONSERVAÇÃO: Não tem
NOME CIENTÍFICO: Echium plantagineum
ORDEM: Boraginales
FAMÍLIA: Boraginaceae
DIMENSÕES: Caule até 80cm; Folhas basais de 35cm
ÉPOCA DE FLORAÇÃO: Março-Julho
DISTRIBUIÇÃO: Sul e Oeste da Europa, Região Mediterrânica e Sudoeste da Ásia.
Este tipo de planta têm nectários que atraem os insetos, nomeadamente as abelhas que aproveitam o néctar para fazer mel, razão pela qual também é conhecida por Chupa-mel.
É igualmente procurada por certas espécies de borboletas para depositam os ovos sobre as folhas que servirão de alimento às larvas.
Outro nome popular é Soagem-viperina, o qual deverá estar relacionado com o facto da corola e os estames, vistos de perfil, aparentarem uma cabeça de víbora e a sua língua bifurcada.
Quando domina, torna os campos roxos.
