O mosaico agrícola de searas, restolhos e pousios oferece alimento, abrigo e locais de reprodução a vários animais, entre insetos, aves, mamíferos, répteis e até anfíbios, mais tolerantes a ambientes secos.
Destaca-se o grupo das aves, onde se incluem espécies raras e com elevado estatuto de conservação como a Abetarda (Otis tarda), o Sisão (Tetrax tetrax), o Cortiçol-de-barriga-preta (Pterocles orientalis), o Rolieiro (Coracias garrulus), o Peneireiro-das-torres (Falco naumanni) e a imponente Águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti), espécie endémica do Sul da Península Ibérica. Ao dependerem do meio agrícola estepário (áreas planas e abertas dominadas por vegetação rasteira) para sobreviverem, estas espécies são conhecidas por aves estepárias.
São também de referir outras espécies, características de áreas de estepe, como o Alcaravão (Burhinus oedicnemus), o Abibe (Vanellus vanellus), a Tarambola-dourada (Pluvialis apricaria), a Laverca (Alauda arvensis), a Petinha-dos-prados (Anthus pratensis), o Trigueirão (Miliaria calandra), a Cotovia-montesina (Galerida theklae), a Calhandrinha (Calandrella brachydactyla), o Chasco-ruivo (Oenanthe hispanica) e a Perdiz-do-mar (Glareola pratincola).
Nos mamíferos, é de destacar, pela sua conspicuidade, a Lebre (Lepus capensis). Nas zonas de matos temos o Javali (Sus scrofa), o Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), o Saca-rabos (Herpestes ichneumon), o Texugo (Meles meles), a Raposa (Vulpes vulpes) e a Geneta (Genetta genetta). No montado destaca-se o Rato-dos-pomares (Eliomys quercinus) e nas linhas de água, a Lontra (Lutra lutra) e o Rato de Cabrera (Microtus cabrerae), único roedor endémico da Península Ibérica.
Entre a herpetofauna conta-se alguns endemismos restritos à Península Ibérica, como a Cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriagai), o Sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii) e a Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi). Acresce o discreto Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e a Osga-turca (Hemidactylus turcicus), ambos com estatuto de conservação desfavorável em Portugal.
Nos maiores cursos de água, como a Ribeira de Cobres e a Ribeira Maria Delgada, é de realçar a ocorrência de três peixes endémicos da Península Ibérica, como é o Barbo de Steindachner (Luciobarbus steindachneri), a Boga-de-boca-arqueada (Iberochondrostoma lemmingii) e a Boga-do-Guadiana (Pseudochondrostoma willkommii).
No grupo dos invertebrados salientam-se três espécies de pequenos crustáceos de água doce (grandes branquiópodes) cuja área de ocorrência é muito restrita no mundo. Destas, duas são endémicas da Península Ibérica, nomeadamente o Camarão-concha (Cyzicus grubei) e o Camarão-girino (Triops baeticus), correspondendo a terceira aos Camarões-fada (Streptocephalus torvicornis), uma das espécies mais raras de encontrar em Portugal.

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