Nas searas germinam plantas como o Pampilho-das-searas (Chrysanthemum segetum), a Aveia-barbata (Avena barbata) e a Ervilhaca (Vicia spp.). O Saramago (Raphanus raphanistrum spp.), que apenas surge nos primeiros estádios de crescimento do cereal, e o Jacinto-das-searas (Muscari comosum) são outras das plantas espontâneas mais abundantes.
Nos pousios as compostas são as que mais contribuem para a sequência de cores primaveris. No inverno, e até início da primavera, a Margaça-de-inverno (Chamaemelum fuscatum) é responsável pelo branco dos campos. Seguem-se os amarelos sobretudo pela presença da Erva-vaqueira (Calendula arvensis) e também do Pampilho-das-searas (Chrysanthemum segetum) e alguns vermelhos das Papolias (Papaver spp.) e dos Catacuzes (Rumex bucephalophorus). Por fim temos os lilases que estão relacionados sobretudo com a Soagem (Echium plantagineum).

Outras plantas ruderais de grande exuberância são o Maios-pequenos (Gynandriris sisyrinchium), o Mata-pulgas (Pulicaria paludosa), endémica do Sul da Europa e Norte de África, e o Cardo-leiteiro (Silybum marianum), cuja flor seca é aproveitada para coalhar leite.
As esparsas manchas de montado têm densidades variáveis de Azinheira (Quercus ilex spp. rotundifolia), ocorrendo alguns Sobreiros (Quercus suber) e por vezes estrato arbustivo constituído usualmente matos de Esteva (Cistus ladanifer).

A Esteva é igualmente a planta mais abundante nos matos, podendo ser acompanhada por outras cistáceas, como a Roselha (Cistus crispus) e o Sargaço (Cistus salviifolius). Nos solos mais degradados, temos mais plantas xerofíticas características como a Espinhosa (Genista hirsuta) e o Rosmaninho (Lavandula stoechas), um endemismo da Península Ibérica. Ao nível do estrato herbáceo destacam-se espécies como a Braquipódio-de-duas-espigas (Brachypodium distachyon), o Trevo-subterrâneo (Trifolium subterraneum) e o Pimposto-branco (Anacyclus clavatus).
Nos locais mais soalheiros de alguns matos (e de pousios) é ainda possível encontrar o Caméfito (Armeria neglecta), um endemismo lusitano restrito à região do Campo Branco que se encontra "Em Perigo" de extinção, e a Erva-do-salepo (Anacamptis boryi), uma orquídea com estatuto de "Vulnerável" à escala mundial.
No estrato herbáceo das searas, dos montados e dos poucos e velhos olivais, destaca-se ainda a Coutinho (Linaria ricardoi), uma espécie endémica do continente português que se encontra restrita ao interior do Baixo Alentejo.
À volta da base do tronco das oliveiras e alguns taludes das estradas, perto de olivais tradicionais, surge outra rara orquídea endémica da Península Ibérica, a Biarum tenuifolium subsp. galianii.
A vegetação dos cursos de água, típicos do Sul da Europa, é essencialmente constituída por espécies com grande tolerância ecológica, como o Loendro (Nerium oleander), a Tamargueira (Tamarix africana) e o Tamujo (Securinega tinctoria), comummente envolvidas por Silvas (Rubus ulmifolius). Nos principais cursos de água é ainda possível encontrar algumas cortinas ripícolas onde o estrato arbóreo se faz representar por árvores como o Freixo (Fraxinus angustifólia), o Choupo (Populus spp.) e o Salgueiro (Salix spp.). Confinadas às encostas mais declivosas, as pequenas manchas de matagal já se apresentam com espécies arbustivas como o Lentisco-bastado (Phillyrea angustifolia), o Zambujeiro (Olea europaea sylvestris) e a Murta (Myrtus communis). No estrato herbáceo evidencia-se o Trevo-de-quatro-folhas-peludo (Marsilea batardae) e o Junquilho (Narcissus jonquilla), duas espécies endémicas da Península Ibérica. Nas margens e leitos mais pedregosos (e que mantêm humidade por mais tempo) temos a Trança-de-dama-estival (Spiranthes aestivalis), uma orquídea presente na metade ocidental da Europa e Norte de África, sendo muito rara em Portugal.
As pequenas barragens, açudes e charcas apresentam nas suas margens plantas paludosas, como as Atabuas (Typha latifolia), o Bunho (Schoenoplectus lacustris) e alguns Juncos (Juncus spp.).
A nível da flora existente nos charcos temporário mediterrânicos (Habitat prioritário 3170* da Diretiva Comunitária Habitats) destaca-se o Cardo-das-lagoas (ou Cardo-de-bicos-azuis) (Eryngium corniculatum), com distribuição limitada à região Oeste da Bacia do Mediterrâneo (Península Ibérica, Sardenha e Marrocos).

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